Como trabalhar na ONU: o guia completo




Como trabalhar na ONU: guia completo da Organização das Nações Unidas

Se tem uma organização que desperta curiosidade e interesse nas pessoas, é a Organização das Nações Unidas (ONU). Aqui no Partiu Intercâmbio, recebemos muitos visitantes procurando por oportunidades de emprego, estágio ou cursos na ONU. A organização se destaca bastante por ser um órgão super relevante quando falamos de questões internacionais relacionadas aos direitos humanos e a justiça social. Mas como trabalhar na ONU? Neste post, vamos explicar tudo o que você precisa pra conhecer mais sobre a organização e as oportunidades profissionais que ela oferece.

Conteúdo do post

  1. Um resumo sobre a ONU
  2. Críticas à organização
  3. Como é trabalhar na ONU?
  4. Como achar vagas de trabalho na ONU? 
  5. Mais oportunidades oferecidas pela ONU

O que é a ONU?

Como provavelmente você já sabe, a Organização das Nações Unidas é uma organização gigante. A ONU possui escritórios em 193 países e mais de 37.000 funcionários. A missão da organização é manter a paz mundial, promover os direitos humanos, a justiça, a igualdade e o desenvolvimento. 

A ONU é a responsável pela criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que são um apelo à ação de todos os países para promover a prosperidade enquanto protege o planeta. 

Eles reconhecem que acabar com a pobreza deve andar de mãos dadas com estratégias que promovam o crescimento econômico e atendam a uma série de necessidades sociais, incluindo educação, saúde, proteção social e oportunidades de emprego, ao mesmo tempo em que combatem as mudanças climáticas e a proteção ambiental. 

A ONU compreende muitos fundos, programas e agências especializadas, cada uma com sua própria área de trabalho, liderança e orçamento. Por exemplo, a ​​UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) trabalha para salvar a vida das crianças, defender seus direitos e ajudá-las a realizar seu potencial, desde a primeira infância até a adolescência.

Outra agência especializada importante é a Organização Mundial da Saúde (OMS), a autoridade diretora e coordenadora da saúde internacional das Nações Unidas. O objetivo da OMS é a garantir o mais alto nível possível de saúde para todos. Provavelmente você ouviu falar bastante da OMS por conta da pandemia do corona vírus. 

Pontos de crítica

Apesar dos ideais e objetivos super legais, também existem críticas feitas às Nações Unidas. As críticas abrangem vários aspectos da organização, como política, ideologia e igualdade de representação. Pontos de crítica incluem uma percepção de falta de eficácia em medidas preventivas na redução de conflitos (como disputas sociais e guerras) e abuso de poder por nações que exercem controle sobre a Assembleia Geral. 

Por exemplo, existem críticas sobre as vagas de estágio da ONU. A organização oferece vagas de estágio não remuneradas, de 8h por dia, em cidades como Nova York e Genebra. Quem você conhece que poderia passar 6 meses em uma das cidades mais caras do mundo enquanto trabalha de graça? Pois é. Se só pessoas com muito poder aquisitivo conseguem trabalhar na organização, só essas pessoas moldarão importantes projetos sociais.

Essa é uma questão bastante complicada relacionada a igualdade de representação. Não é coerente com a missão da organização, que deveria ser referência em direitos humanos e justiça social. Nesse sentido, a ONU acaba sendo um espelho da sociedade capitalista e injusta que vivemos. Existem boas iniciativas, e outras que não funcionam de maneira ideal e que acabam não promovendo oportunidades para pessoas de regiões periféricas. 

Um protesto contra a injustiça dos estágios, que são oferecidos há anos (Fotografia: Demir Sönmez)

Como é trabalhar na ONU?

Agora que você já tem uma noção realista da organização, e está inspirado a ter uma experiência de trabalho por lá para poder lutar por mais justiça social, vamos falar sobre como é trabalhar na ONU! 

Nós conversamos com a Vanessa Beltrame, jornalista que trabalha na Unidade de Informação Pública do ACNUR, a agência da ONU para refugiados em Brasília. 

A Vanessa é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria (2010) e tem um mestrado em Comunicação pela Universidade de Brasília (2017). Antes de trabalhar na ACNUR, ela passou por outros espaços dentro da ONU. Primeiro, ela foi assistente de comunicação no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o organismo da ONU com mandato de promover a agenda para o desenvolvimento sustentável. Depois da experiência no PNUD, a Vanessa trabalhou por um ano como especialista em comunicação para o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). 

Para ela, trabalhar na ONU é trabalhar em um ambiente multicultural, com pessoas de várias nacionalidades e com contato com colegas espalhados por todo o mundo. Ela conta:

“As curvas de aprendizado costumam ser grandes e intensas, você está sempre se deparando com um assunto novo, uma renovação, e não para de aprender. Por fim, creio que também pesa muito a questão do orgulho de trabalhar para uma organização gigante, respeitada internacionalmente e com mandatos tão motivadores. O trabalho motiva todos os dias, porque você consegue enxergar bastante propósito nele.”

No trabalho atual da Vanessa, no ACNUR, ela lida com a questão das pessoas refugiadas, e não apenas do ponto de vista da proteção, mas de modo a garantir soluções duradouras para a vida delas, como oportunidades de educação, de empregabilidade e de empreendedorismo. Ela trabalha como associada de comunicação na Unidade de Informação Pública, lidando diretamente com a produção e divulgação de conteúdos que promovam o trabalho da agência.

Veja vagas abertas na ONU para brasileiros

Como trabalhar na ONU: achando vagas de trabalho

Conseguir trabalho na ONU pode parecer uma tarefa para poucos. No entanto, como o escopo da organização é global e multidimensional, há muitos pontos de entrada diferentes para candidatos com formação educacional variada e experiência profissional diversificada. Ou seja, existem oportunidades de trabalho em diferentes países e para as mais distintas áreas. 

A Vanessa deu muitas dicas legais para quem quer trabalhar na organização. Em primeiro lugar, tudo depende da sua formação, dos seus objetivos profissionais e o que te interessa especificamente dentro da ONU. 

Ela ressalta que existem lugares com mais oportunidades. O PNUD, por ter um portfólio de projetos muito amplo, tem sempre oportunidades abertas em diversas áreas de conhecimento. É preciso estar sempre de olho na seção de Oportunidades do site deles

Os contratos Fixed Term (FTA), que são os staffs da ONU, são raros. Dificilmente alguém ingressa no sistema já com esse tipo de contrato. Então, vale a pena buscar outros tipos de contrato para começar. Por exemplo, o UNV (United Nations Volunteers), o Service Contract (SC) – modalidade exclusiva do PNUD que agora chama-se National Personnel Services Agreement (NPSA), e o Individual Contractor Agreement (ICAs), que são contratos gerenciados pelo Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (UNOPS). 

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Dicas para sua candidatura na ONU

A Vanessa aconselha: “comece a aplicar agora! Fique atento à oferta de vagas nas diversas agências e programas e aplique para os postos de seu interesse. Estude como preencher os formulários de inscrição, estude o lugar para o qual você está aplicando, conheça o mandato, a operação no Brasil, os principais projetos do portfólio. Isso será importante no processo seletivo”.

Falando sobre diferenciais que podem te ajudar a conseguir uma vaga, a Vanessa conta que isso depende muito de cada vaga, mas o que quase todas têm em comum é o bom domínio da língua inglesa ou de outro idioma oficial da ONU. Ou seja, ter inglês, espanhol, francês, árabe, chinês, ou russo fluente pode te ajudar bastante! Além disso, é claro, também vai ajudar ter experiência de trabalho relevante para a função e formação na área. 

Para fazer a entrevista e a prova escrita que fazem parte do processo de candidatura, você deve conhecer bem a agência para a qual está aplicando. Demonstre motivação sobre o mandato daquela agência. A grande maioria das entrevistas no sistema ONU são baseadas em competências. Por isso, é muito importante saber expressar como suas experiências profissionais passadas podem te fazer uma bom(a) candidato(a) para a vaga. 

O mais importante, na opinião da Vanessa, é você entender quais mandatos interessam a você e a sua carreira (como a questão dos refugiados, desenvolvimento, promoção da paz, educação, saúde, infância, mulheres, etc), e buscar quais agências atendem às suas motivações. 

A partir daí, precisa ficar de olho nas seções de “trabalhe conosco” de cada agência e nos perfis no LinkedIn. Outro lugar legal para checar as vagas abertas é a seção de anúncio de vagas do site da ONU Brasil. Todas as vagas são anunciadas e seguidas de processo seletivo, então não adianta enviar currículos sem que haja vagas disponíveis. 

Como trabalhar na ONU: mais oportunidades

Além das vagas de emprego mencionadas, a ONU também oferece um leque bem grande de diferentes experiências profissionais. Nós já publicamos várias delas aqui no Partiu Intercâmbio, e vale muito a pena ficar sempre checando o nosso buscador de bolsas de estudos para não perder nada!

Atualmente, as seguintes oportunidades estão com inscrições abertas (ou irão abrir em breve):

Concurso da ONU Plural Plus dá viagem com tudo pago

O concurso cultural de vídeos Plural+ da ONU dá viagem com tudo pago ao exterior, para os autores dos melhores vídeos tratem de temas de migração, inclusão social, diversidade e prevenção da xenofobia. Jovens que tenham até 25 anos podem se inscrever para o concurso das Nações Unidas recebe inscrições até 10 de junho.

Bolsa para afrodescendentes para curso de direitos humanos na ONU na Suíça

Até 15 de junho de 2022, é possível se inscrever para uma bolsa para afrodescendentes da ONU. O programa oferece bolsas para um curso sobre direitos humanos em Genebra, na Suíça. O curso acontece de 21 de novembro a 9 de dezembro de 2022. 

A meta da ONU é oferecer uma oportunidade de aprendizagem intensiva a pessoas de ascendência africana em questões de direitos humanos. Os tópicos de estudo do curso incluem direitos humanos, formas de discriminação racial, acesso à justiça, perfilamento racial, entre outros.

Young Professionals Programme

O Programa de Jovens Profissionais da ONU (YPP) é uma iniciativa de recrutamento para profissionais talentosos e altamente qualificados para iniciar uma carreira como funcionário público internacional no Secretariado da ONU.

As inscrições para o YPP abrem uma vez por ano em diferentes áreas temáticas, dependendo das necessidades da ONU. O YPP está aberto a cidadãos dos países participantes, e a lista de países participantes varia de ano para ano. No processo seletivo de 2022/2023, o Brasil era um dos países participantes! O período de inscrição geralmente abre em junho de cada ano. 

ONU Paid Volunteering Opportunity

​​As Nações Unidas tem um programa de voluntariado remunerado, ou seja, que oferece oportunidades de voluntariado pago na instituição. O projeto leva voluntários com experiência especializada para servir em missões para apoiar a paz e o desenvolvimento em diferentes agências da ONU no mundo todo.

Entre os critérios para se candidatar ao voluntariado internacional das Nações Unidas, é necessário ter nacionalidade de um país que não seja aquele onde o voluntário irá atuar. Também é preciso possuir mais do que 25 anos e ter diploma de nível superior ou técnico. Para candidatos mais novos, existe o International UN Youth Volunteers, que é voltado apenas para jovens entre 18 e 29 anos.

Além dessas oportunidades citadas aqui, existem muitas outras que de vez em quando aparecem por aí. Por exemplo, aqui no Partiu Intercâmbio nós também já divulgamos um programa da ONU que dá bolsas para jornalistas nos Estados Unidos e também ​bolsas de estudo da ONU para curso de direito internacional em Haia. Ou seja, tem que ficar de olho nas oportunidades! Boa sorte no processo e conta pra gente aqui nos comentários se você tem mais alguma dica para conseguir uma oportunidade profissional na ONU!

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