Sobre as bolsas de estudos que eu não ganhei e por que eu não desisti

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Eu sou a Bruna, tenho 31 anos, estudei jornalismo. Depois de fazer parte da primeira turma de Jovens Embaixadores, um concurso da Embaixada Americana que, desde 2003, leva adolescentes brasileiros de escola pública e que são líderes em suas comunidades para os Estados Unidos por três semanas com tudo pago, eu fiz mais 8 intercâmbios, ganhei outras 6 bolsas de estudos e fundei o Partiu Intercâmbio. Esse site que você tá lendo agora e  que hoje tem mais de 300 mil visitas por mês e é referência quando se fala em intercâmbio e bolsas de estudos.

 

Esses números juntos impressionam e até colocam um pouco de medo em quem ouve. Há quem acredite que esses grandes números, essas conquistas, são o que me define. Eu acredito que essas pessoas estão erradas. Porque o que me define não são coisas que se podem contar. O que me define são duas palavras: paixão e perseverança.

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Meus professores nessas duas matérias essenciais para conquistar o que for são duas pessoas simples, mas indispensáveis. Uma bancária capaz de colocar doses amor sobrenatural em tudo que faz e um engenheiro com uma energia inesgotável para correr atrás do que quer. O meu pai sempre foi um cara inquieto. Ele teve uma fábrica de roupas, uma loja de conserto de computadores usados, vendeu joias, perfumes, carros e calculadoras. Tudo isso com ajuda da minha mãe e sem nenhum dos dois jamais ter largado os empregos que sustentavam a família. Eu cresci vendo meus pais migrando de uma empreitada para outra, de um sonho para o outro como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.

 

Toda essa batalha por uma vida melhor (in) ou felizmente não deu em nada. Essas atividades extras tiraram a família de alguns apertos financeiros, mas nunca viraram forma principal de sustento. Ou seja “uma perda de tempo” diriam os  mais práticos. Mas foi exatamente isso que me ensinou a lição mais valiosa da minha vida

 

Sucesso e fracasso são coisas relativas. Tudo vai depender do que vocês vão fazer com a experiência. Eu digo isso porque, em 2002, eu simplesmente coloquei na cabeça que faria intercâmbio e que ganharia uma bolsa de estudos para isso. Naquele ano, fiz pelo menos quatro seleções e não passei em nenhuma. Nem para a segunda fase.

 

E olha, só achar quatro concursos, em 2002, já foi uma grande coisa. Nessa época, a internet ainda era basicamente mandar uns emails pra lá e pra cá e não existiam diversos sites falando de bolsas de estudos no Exterior, mostrando tudo ali mastigadinho nos mínimos detalhes. Ainda assim, eu achei e me inscrevi para quatro bolsas. E talvez vocês saibam, quando você tem 15 anos e bota tanta energia em algo e não passa em absolutamente nada, parece meio que o fim do mundo.

 

Como se não fosse o suficiente, para coroar aquele meu ano de “derrotas”, convenci meus pais que eu deveria fazer o curso preparatório para uma prova de proficiência. Óbvio que eu ainda por cima escolhi fazer uma daquelas provas que, se você não atinge a nota mínima em alguma parte, não receberia certificado, era tudo ou nada: ou eu ia muito bem em tudo ou era uma grana “jogada fora”.

 

Foi um semestre inteiro de preparação, aulas do outro lado da cidade, horas na biblioteca estudando, e uma grana investida que a gente poderia ter usado pra férias, para dar entrada num carro novo ou para pintar casa.

 

E, de novo, eu  fui lá e dei com a cara na porta. Não passei.

 

Aquilo foi a cereja do bolo e eu reagi como se fosse o fim do mundo. Do alto dos meus 15 anos, eu não conseguia ver que só fazer aquilo já era uma enorme coisa, especialmente pra alguém tão jovem e de uma família que era tudo, menos rica. Enquanto a maioria dos meus amigos nem pensava em coisas do tipo ou só sonhava sem fazer qualquer coisa prática para realizar esses sonhos, eu tava lá enfiando a cara e correndo o risco de falhar. Da mesma maneira que os meus pais sempre fizeram.

 

Então, no dia que eu recebi a notícia de que não passei na prova, óbvio que eu foi um mini drama, afinal, tudo que eu tentei naquele ano deu errado. E o meu pai, a pessoa mais cheia de energia e menos amargurada que eu conheço, depois de tentar me confortar por horas com aquelas típicas palavras de pai, olha pra mim e diz um pouco irritado: “olha tudo que eu tua mãe já tentamos na vida. Nenhum dos nossos negócios deram certo. A gente sempre levantou e seguiu em frente. Isso não é o fim do mundo”.

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Semanas depois dessa conversa, o telefone tocou. No meio de toda a preparação para prova de proficiência, eu tinha prestado  um quinto concurso naquele ano. Um tal de Jovens Embaixadores. E aquela ligação foi a melhor notícia do ano. A notícia que mudou a minha vida pra sempre, porque meu pai tava certo. Tem horas em que levantar e seguir em frente é a única coisa que a gente vai poder fazer e é exatamente o que vai nos diferenciar dos outros.

 

O mundo tá cheio de receitas de como vocês vão conseguir tudo o que quiserem na vida. O Partiu Intercâmbio tá cheio de dicas e oportunidades de bolsas. E, na verdade, nenhum de vocês precisa fazer 37 intercâmbios, falar 25 idiomas pra fazer a diferença no mundo. A gente se prende muito nos números grandiosos, nas coisas dignas de manchete de jornal. Mudar o mundo às vezes é mudar a vida de uma pessoa o suficiente para ela não desistir. Parece um pouco de loucura. Mas para quem tem medo de falhar, até a empreitada mais óbvia e segura vai parecer maluquice. Afinal, quer algo mais rebelde nesse mundo do que não só acreditar nos seus sonhos, mas ir lá e estar disposto a trabalhar e botar todo seu amor em algo mesmo correndo o risco de falhar?

 

Nada na vida vai ser tempo perdido, se vocês souberem olhar para os erros sem rancor e com a curiosidade de quem quer aprender e crescer sempre. A vida vai apresentar “não” o tempo inteiro. E fórmula mágica para realizar sonhos não existe, mas persistência e paixão são capazes de coisas incríveis. Eu não sou uma pessoa de talentos exóticos ou especiais, não tive as melhores notas da minha turma na faculdade ou na escola, mas sou alguém disposta a lutar até o fim pelo que eu acredito. Porque eu sei que nenhum sonho vai se realizar sem muito trabalho, foco e até algumas lágrimas.

 

E quando os “nãos” finalmente virarem “sims”, vai ter sempre aquele tipo de comentário “nossa você tem muita sorte”. Afinal, é muito fácil confundir perseverança e persistência com sorte e “jovem tenta quatro bolsas de estudos em um ano e não passa em nada”, não é bem o tipo de matéria que todo mundo vai compartilhar na Internet, né?

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Toda terça-feira tem vídeo novo no nosso canal no YouTubeAssina aí pra não perder nadinha. A gente também está no Instagram, no Flipboard e no Twitter. Nesses canais, eu falo mais sobre como ganhar bolsa para fazer intercâmbio, como fazer carta de motivação e mais um monte de coisas. Obviamente, eu também respondo dúvidas. Só deixar elas aqui nos comentários do post 🙂

COMENTÁRIOS

5 respostas para “Sobre as bolsas de estudos que eu não ganhei e por que eu não desisti”

  1. Gabriella disse:

    Bruna, obrigada! Acabei de receber a resposta negativa da Endevour Scholarship, onde coloquei muita expectativa. Esse post foi um bálsamo depois de um balde de água fria 🙂

  2. Di disse:

    Oie. Estou focando para conseguir uma bolsa de mestrado para o próximo ano, no momento estou estudando para tirar meu IELts, mas minhas notas na faculdade são muito baixas, passei arrastada em tudo. Ainda tenho chances de conseguir uma bolsa?

  3. Mariana disse:

    Oi, Bruna! Esse foi um vídeo bem necessário 🙂 A gente se frustra muito com esses “nãos” que recebemos, mas o importante mesmo é não desistir. Nessas bolsas que vc aplicou várias vezes, vc mudou muito o seu approach nas cartas de motivações? Eu tou com uma certa dificuldade em encontrar o que deu errado em uma outra application a fim de melhorar nessa próxima.. Tu tens alguma dica pra esse tipo de avaliação? Beijos!

  4. Adrielle disse:

    Bruna, esse ano foi um ano de “fracassos” pra mim e esse meu post foi meio q uma luz pro que eu já estava percebendo. Eu sempre tive muita “sorte” e estava crente de que iria conseguir pelo menos 1 das 10 que eu tentei esse ano. E não consegui nenhuma. E por alguns dias pareceu o fim do mundo, como se todo o estudo e a perseverança fosse em vão. Até eu perceber que não sabia lidar com fracassos e que deveria aceitá-los a partir de hoje. Sempre em frente!

    • Oi, Adriele, eu sei como é foda e como a gente fica mal. Mas levanta a cabeça e segue em frente. Não esquece de avaliar bem teus applications para tentar identificar como tu pode melhorar pros próximos concursos! Beijo e segue em frente!

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