FLTA na Towson - (Re)Encontro dos FLTAs brasileiros - Partiu Intercâmbio




Em 2014, os então bolsistas do programa FLTA resolveram ir além de grupos de trocas de mensagens e da Mid-Year Conference. Sentindo falta de uma troca de experiências direta e presencial entre eles, além de uma forma de atingir mais alunos de português, eles criaram o I Encontro de FLTAs Brasileiros nos Estados Unidos. Desde então, cada nova leva de bolsistas organiza esse evento. Com o nosso grupo não foi diferente. A 6ª edição do encontro, com o tema “Vozes em Tempos Críticos” aconteceu nos dias 14 e 15 de fevereiro na Emory University, em Atlanta/Georgia. Coincidentemente, este é o mesmo lugar onde foi sediado o primeiro encontro.

Bolsas nos EUA

A Geórgia, um estado localizado na região sul dos EUA, é um lugar estratégico para que esse encontro ocorra, visto que na nossa edição do programa FLTA há 5 bolsistas residindo no estado. Três moram em Atlanta – são duas na Emory e uma na Spelman College – e dois, em Athens, onde está a UGA (University of Georgia). Isso facilita a organização, o planejamento e a logística.

Nesses dois dias de evento, tivemos um cronograma intenso: desde o início da manhã até o fim da tarde com atividades em ambos os dias. A primeira atividade (depois do café da manhã/credenciamento) foi a mesa de abertura: “Do Pioneirismo ao Protagonismo: 6 anos de FLTAs Brasileiros nos EUA”. Falaram aí a professora Ana Catarina Teixeira, diretora do departamento de português da Emory, e a professora Bibiana Silva, ex-FLTA que organizou o primeiro encontro. Elas expuseram em suas falas a importância de encontros como esse tanto para os bolsistas quanto para a universidade, o departamento de português e os alunos. É algo que movimenta o meio acadêmico.

Em seguida, tivemos uma oficina ministrada pelo professor Alexander Mendes sobre abordagens críticas em relação às línguas e às linguagens. Foi um ótimo momento para discutirmos e (re)pensarmos todas as implicações e responsabilidades que nós, profissionais da linguagem, temos quando estamos dentro e fora da sala de aula. Igualmente, é muito bom ter momentos no evento em que podemos ouvir alguém fora da bolha do alcance de FLTAs.

 

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Depois , começamos as comunicações dos FLTAS. As comunicações foram uma oportunidade para escutarmos, formalmente, o que os nossos pares puderam (ou pretendem) realizar em seus campus. Elas foram divididas em quatro eixos temáticos: Polifonia, Tessituras Versáteis, Novos Timbres e Projeções Vocais. Os três primeiros foram apresentaram na sexta-feira mesmo. Essa troca foi muito importante para nós porque pudemos aprender e aprimorar nossas práticas através de nossos colegas. Destaco a participação massiva do pessoal no evento e nas comunicações. Dos 20 FLTAs aqui nos Estados Unidos, 15 estiveram presencialmente no evento, e 18 apresentaram trabalhos. Quem não pode vir teve a possibilidade de apresentar através de videoconferência ou através de envio de vídeo.

Minha palestrinha sobre o ciclo de cinema, que estou realizando aqui na Towson

Algumas universidades ressarciram total ou parcialmente os gastos dos FLTAs com a viagem. Por outro lado, outras instituições não tiveram condições de ajudar financeiramente. Em meu caso, a Towson contribuiu com o ressarcimento de minhas passagens aéreas e o translado até o aeroporto.

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Tivemos um intervalo entre os dois primeiros eixos de comunicações. Participamos aí de um bate-papo com alunos de português da Emory e algumas alunas da Spelman. Deu até tempo para uma mini-aula de Zouk, ministrada pelo FLTA Dave. Como era hora do almoço, o bate-papo tinha pizza e Coca-Cola. Uma curiosidade: um dos criadores da empresa, que também foi prefeito de Atlanta e reitor da Emory, Asa Candler, além de doar o terreno para a universidade, deu um milhão de dólares em 1914. Ao total, Candler doou 7 milhões de dólares para a instituição, o que deu a ela o título informal de Coca-Cola University. Por isso, tomar Pepsi é proibido no campus.

Bate-papo no almoço de sexta com alunos de português. Algumas caras estão cansadas porque a foto foi tirada logo depois da aula de Zouk.

No fim do dia, um dos alunos de português nos levou em um tour guiado pelo campus. É um espaço amplo, bonito, bem arborizado e com prédios modernos. A Emory se destaca sobretudo na área da medicina. Lá foi o primeiro lugar a criar um tratamento contra o Ebola. Apesar de o mascote oficial ser um águia, há um sombrio mascote extraoficial, Dooley, um esqueleto que leva o nome da primeira reitora do início do século XX. O esqueleto surgiu nessa época escrevendo cartas para universitários.

Dooley, o mascote gótico da Emory

No sábado, a ouvimos o último grupo a apresentar suas comunicações orais. Em seguida, tivemos uma palestra com Rafael da Silva, pós-graduando da UGA, sobre uso e desenvolvimento de jogos no ensino de línguas adicionais. A partir de sua pesquisa, Rafael trouxe alguns exemplos práticos de como e por que podemos incorporar jogos em nossas práticas.

Na reta final do evento, como uma preparação para o fim do programa, recebemos virtualmente a rainha dos intercâmbios, a CEO desse site, a musa das bolsas de estudos, Bruna Amaral. Ela nos deu algumas dicas para nosso retorno e conversou conosco sobre como amenizar impactos do choque cultural reverso quando chegarmos no Brasil. Praticamente uma Bíblia para quem aplica para o FLTA, o vídeo de dicas com a ex-FLTA Larissa Goulart, foi gravado pela Bruna há alguns anos.

Tivemos ainda uma roda de conversa com ex-FLTAs que ficaram nos Estados Unidos fazendo pós-graduação. Embora temos a exigência de passar dois anos no Brasil após o programa (algo que não precisa ser imediato), alguns de nós têm, de fato, o interesse de continuar estudando aqui. Assim, ouvimos os prós e contras sobre a vida de pós-graduando em universidades americanas.

O encerramento do evento foi a mesa: Equalizando Graves, Médios e Agudos: Ponderações sobre a importância dos FLTAs. Participaram as supervisoras das três instituições da Georgia, Ana Teixeira, da Emory, Andrea Ruiz (UGA) e Inês Dias (Spelman College). Elas destacaram a importância dos FLTAs pro departamento, pro curso e pros alunos de português. Também tivemos a chance de discutir questões técnicas do programa em diferentes universidades, como uso de livro, language table, atividades extraclasse e problemas logísticos. Enfim, o que está funcionando e o que pode melhorar no programa.

O encontro do FLTA foi um prenúncio para adentrarmos na reta final do programa. Não foi nostálgico nem uma crise de ansiedade; mas uma percepção de tempo. Estamos aqui. Trabalhos aqui. Já é o segundo semestre. Olhai o que fizemos e o que podemos ainda fazer. Como nas outras duas reuniões que tivemos (em São Paulo, antes de embarcarmos, e em Washington, com todos os FLTAs do mundo) não tivemos uma troca genuína de experiências entre nós mesmos – ou o foco não era exatamente isso –, o evento nos proporcionou bem isso que sentíamos falta. Espero que nas próximas edições, o evento continue.

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Esticada em Athens

Aproveitando a viagem, dei um pulo em Athens, cidade vizinha a Atlanta. Homônima à cidade grega, a cidade é muito parecida com a Towson, porque é uma cidade jovem que gira em torno da universidade. A UGA, como a universidade de Towson, se localiza bem no centro da cidade. O campus é enorme, repleto escadas e buldogues (símbolo da universidade). O número total de estudantes da UGA, 38,920 matriculados no último semestre, juntamente com os 10,856 funcionários representam 40% da população total da cidade.

A UGA é uma boa pedida para quem quer fazer pós-graduação, já que há muitos alunos de português, e uma bolsa prevê também a tutoria para esses alunos. A quantidade de alunos se justifica porque a universidade foi a precursora no flagship, programa que envia alunos americanos para o Brasil, com uma bolsa generosa, para aprender português.

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Athens é uma cidade meio hipster, conhecida pelas bandas de rock alternativo, como Of Montreal, R.E.M. e B-52s. Obviamente, há muitos bares, pubs e restaurantes cujo público-alvo são universitários.

Aproveitando minha estadia, Alencar, um dos FLTAs na UGA, me convidou para falar sobre Tropicália para alunos de português. A discussão foi excelente, com os alunos mostraram muito interesse, principalmente em relação às músicas e às letras. Uma hora se tornou pouco tempo.

Feliz com a caneca que ganhei após a apresentação

Infelizmente choveu bastante nesses dois dias. Contudo, consegui aproveitar meu tempo aí, antes da minha volta para Towson. Levo comigo as lembranças da última que a maioria de nós esteve reunido aqui nos EUA.

 

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Sobre o Autor:

 

João Pedro Amaral é professor de inglês e literatura em Santa Maria, interior do Rio Grande do Sul. Seu projeto de letramento audiovisual para alunos de escolas públicas foi vencedor do 11o prêmio professores do Brasil na categoria ensino médio da região sul do Brasil e o levou para conhecer o sistema de educação no Canadá. Em 2019/2020, João vai passar um ano letivo dando aulas de português na Towson University, nos Estados Unidos, com bolsa do programa FLTA da Fulbright.

 

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