Bolsa para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas para doutorado sanduíche e pós-doc no exterior
O CNPq abriu uma oportunidade histórica para pesquisadoras brasileiras que buscam internacionalizar suas carreiras e expandir seus horizontes acadêmicos. Trata-se da Chamada Pública Nº 20/2026 do Programa Atlânticas – Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência, uma iniciativa conjunta com diversos ministérios federais que oferece bolsa para mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas. O objetivo principal é financiar a realização de parte da pesquisa de doutorado ou projetos de pós-doutorado em instituições de excelência no exterior. A data limite para submissão das propostas é o dia 30 de setembro de 2026.
O programa busca combater desigualdades históricas no ambiente acadêmico de alto nível e ampliar a participação dessas pesquisadoras em espaços de poder e decisão. Se você está planejando os próximos passos da sua carreira internacional, não deixe de conferir os detalhes desse edital.
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Como é o programa Atlânticas – Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência
O Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência é uma chamada pública organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), o Ministério das Mulheres (MMulheres) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI).
A iniciativa foi desenhada especificamente para selecionar mulheres negras, quilombolas, indígenas e ciganas para realizarem estágios, cursos ou desenvolvimento de projetos científicos fora do Brasil. O intuito é promover a internacionalização, o desenvolvimento científico e tecnológico e o fortalecimento de redes internacionais de cooperação acadêmica.
O programa acontece de maneira totalmente presencial na instituição estrangeira de escolha da candidata, a qual deve possuir reconhecida excelência internacional na área de interesse.
As propostas são divididas em três faixas distintas de financiamento:
- Faixa 1: a primeira é a faixa de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior (DEJ), voltada para quem está matriculada em curso de doutorado no Brasil e deseja realizar o doutorado sanduíche, com duração de 1 a 12 meses.
- Faixa 2: a segunda faixa é a de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior (DES), destinada a doutoras com pelo menos cinco anos de experiência em pesquisa, também com duração de 1 a 12 meses.
- Faixa 3: a terceira faixa apoia o Pós-Doutorado no Exterior (PDE), direcionado a portadoras do título de doutorado para atualização de conhecimentos, com duração de 6 a 12 meses. Nenhuma das modalidades permite prorrogação de prazo.
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O que cobre a bolsa para mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas
Os benefícios oferecidos pelo CNPq e pelos ministérios parceiros garantem um suporte financeiro robusto para que as pesquisadoras possam se dedicar integralmente às suas atividades no exterior. O programa cobre mensalidades completas, calculadas com base na Tabela de Valores de Bolsas no Exterior vigente do CNPq.
Além disso, estão inclusos no pacote financeiro o auxílio-deslocamento para as passagens, o auxílio-instalação para o período de chegada e o seguro-saúde. Dependendo do destino escolhido pela candidata, também pode ser pago um adicional de localidade para cidades classificadas como de alto custo.
É muito importante destacar que o edital traz algumas regras e restrições sobre o que não está coberto ou situações em que os auxílios são cortados. Por exemplo, se a candidata selecionada já estiver residindo no país de destino no momento da aprovação da bolsa, ela perderá o direito de receber o auxílio-deslocamento da ida e também o auxílio-instalação.
Outro ponto fundamental diz respeito ao seguro-saúde: os valores seguem estritamente os tetos da tabela do CNPq. Caso a universidade estrangeira exija uma apólice com coberturas mais caras que o teto da agência brasileira, o CNPq não fará qualquer tipo de complementação financeira, ficando sob responsabilidade da bolsista encontrar e custear uma apólice que atenda aos critérios da instituição anfitriã dentro do limite disponível. As bolsas também nunca poderão ser utilizadas para o pagamento de prestação de serviços.
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Quem pode se candidatar ao edital
Para concorrer a uma vaga no programa e garantir a bolsa para mulheres negras, indígenas, quilombolas ou ciganas, as candidatas precisam cumprir uma série de critérios de elegibilidade gerais e específicos estabelecidos pelo CNPq. O descumprimento de qualquer um dos requisitos obrigatórios causará o indeferimento definitivo da proposta técnica.
Os critérios e requisitos de candidatura exigidos são:
- Ser mulher brasileira ou estrangeira em situação migratória regular no Brasil (para as faixas DEJ e DES), ou brasileira e estrangeira com visto permanente no Brasil (para a faixa PDE);
- Não ter sido contemplada na primeira edição desta mesma Chamada Pública para a mesma finalidade pretendida;
- Estar formalmente matriculada em um curso de doutorado no Brasil (apenas para a modalidade sanduíche/DEJ) ou possuir o título de doutora no momento da implementação da bolsa (para as faixas DES e PDE);
- Possuir o currículo cadastrado e devidamente atualizado na Plataforma Lattes até a data limite de envio da proposta;
- Ter formação acadêmica totalmente compatível com o nível e o objetivo do estágio ou curso pretendido no exterior;
- Comprovar conhecimento suficiente do idioma utilizado no curso ou na instituição de destino estrangeira;
- Ter experiência mínima de cinco anos em pesquisa, desenvolvimento ou inovação para a modalidade Sênior (DES) — abrindo-se exceção apenas para candidatas com produção científica e tecnológica de grande destaque;
- Respeitar o interstício mínimo de três anos entre dois pós-doutorados no exterior caso já tenha sido bolsista do CNPq nessa modalidade;
- Observar o tempo mínimo de permanência obrigatória no Brasil se for ex-bolsista de doutorado no exterior de qualquer agência nacional;
- Dedicar-se em regime de integralidade absoluta às atividades planejadas na instituição internacional de destino;
- Escolher uma instituição de destino que seja reconhecida internacionalmente na área e um orientador estrangeiro com reconhecida competência no campo do projeto.
Em caso de empate na nota final das propostas, o Comitê Julgador usará critérios específicos de desempate baseados no mérito. O primeiro critério será a maior nota obtida no quesito de potencial, originalidade e relevância do projeto para o desenvolvimento do País. Se o empate persistir, a vaga será decidida pela maior nota na avaliação curricular da candidata e, por fim, pela nota da justificativa para a realização da pesquisa no exterior.
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Como se candidatar à bolsa para negras, quilombolas, indígenas e ciganas
As inscrições devem ser realizadas de forma totalmente online. A candidata deve enviar a sua proposta diretamente pela internet, utilizando o formulário eletrônico de propostas disponível na Plataforma Integrada Carlos Chagas do CNPq.
O horário limite para o envio é até as 23h59 do dia 30 de setembro de 2026, seguindo rigorosamente o horário oficial de Brasília. Recomenda-se fazer o envio com antecedência para evitar congestionamentos técnicos, pois o sistema não aceita propostas fora do prazo.
É fundamental preencher todos os campos do formulário, além de anexar o projeto de pesquisa ou plano de trabalho (em formato PDF OCR de até 1 Mb) contendo uma seção obrigatória de Plano de Divulgação Científica voltada para o público não especializado.
Os documentos obrigatórios para submissão da proposta são:
- Formulário eletrônico de propostas preenchido na Plataforma Carlos Chagas;
- Currículo Lattes atualizado da proponente/candidata;
- Currículo Lattes do orientador nacional (obrigatório para a faixa DEJ);
- Currículo Lattes ou identificador ORCID do supervisor/orientador estrangeiro;
- Projeto de pesquisa completo ou plano de trabalho detalhado em português;
- Carta de aceitação oficial emitida pelo anfitrião na instituição estrangeira, indicando o acolhimento, período exato da estadia e supervisão (pode ser em português, inglês ou espanhol);
- Carta de recomendação do orientador no Brasil (apenas para a faixa DEJ);
- Declaração do Programa de Pós-Graduação no Brasil (apenas para a faixa DEJ);
- Documento de comprovação de proficiência no idioma ou carta da instituição de destino atestando que a candidata tem conhecimento suficiente do idioma;
- Autodeclaração de Pertencimento Étnico-Racial preenchida, datada e assinada, seguindo o modelo oficial do Anexo I;
- Cópia colorida legível de documento oficial de identificação com foto (preferencialmente RG);
- Fotografia colorida recente no tamanho 2×2 (padrão passaporte), com fundo branco, expressão neutra e rosto completamente visível;
- Documentação complementar obrigatória por grupo étnico-racial: para mulheres indígenas, o registro civil ou carta de liderança indígena mais um memorial descritivo assinado por três lideranças; para mulheres ciganas, memorial descritivo de trajetória e declaração de reconhecimento público assinada por três lideranças ou associações ciganas; para mulheres quilombolas, memorial descritivo mais declaração de pertencimento assinada por três lideranças da associação da comunidade.
O processo seletivo é rigoroso e dividido em várias etapas de avaliação. A Etapa I consiste na análise de elegibilidade técnica realizada pelo CNPq. A Etapa II é a classificação de mérito pelo Comitê Julgador, que avaliará critérios como originalidade do projeto, currículo da candidata e do orientador, excelência da instituição de destino e o plano de divulgação científica.
As candidatas aprovadas nessas fases iniciais passam pelas etapas complementares de validação das autodeclarações: as candidatas negras passam pela Etapa III, que consiste em um Comitê de Confirmação de Autodeclaração Telepresencial com gravação em vídeo focado no critério fenotípico; já as participantes indígenas, quilombolas e ciganas passam pela Etapa IV, que envolve uma Comissão de Avaliação do Memorial Descritivo Telepresencial. Aquelas que não tiverem a autodeclaração ou o memorial confirmados serão eliminadas do processo.
| Etapa | Data/Prazo |
| Lançamento da Chamada Pública | 30/06/2026 |
| Prazo para impugnação do edital | 10/07/2026 |
| Data limite para submissão das propostas | 30/09/2026 |
| Período de Julgamento e Comitês de Validação | Outubro a dezembro de 2026 |
| Divulgação do resultado preliminar no DOU e site | 15/12/2026 |
| Prazo para interposição de recurso administrativo | 10 dias após o resultado preliminar |
| Divulgação da decisão final do julgamento | Janeiro de 2027 |
| Período para implementação e início das bolsas | Março de 2027 a dezembro de 2028 |
Sobre as instituições de destino
O programa Atlânticas não possui uma única universidade ou país de destino pré-determinado, permitindo que a própria proponente escolha onde deseja realizar a sua pesquisa. No entanto, o edital exige de forma muito clara que a instituição de destino no exterior seja amplamente reconhecida internacionalmente na área de interesse da candidata e apresente elevado padrão de excelência na produção do conhecimento. Toda e qualquer instituição estrangeira escolhida precisa estar cadastrada no Diretório de Instituições do CNPq antes do fechamento das inscrições.
Essa flexibilidade é estratégica para as pesquisadoras brasileiras, pois permite alinhar o estágio internacional aos centros globais mais avançados em suas respectivas áreas de atuação. Seja em universidades tradicionais ou em centros de desenvolvimento tecnológico e inovação, a oportunidade de estabelecer redes de cooperação internacional visa fortalecer a formação acadêmica dessas mulheres e gerar reflexos diretos no desenvolvimento científico do Brasil quando retornarem.
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Sobre o autor
Jaqueline Crestani
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Quem faz?
Bruna Passos Amaral é jornalista, viajante, entusiasta da educação e apaixonada por idiomas. Na bagagem, são nove intercâmbios – dois nos Estados Unidos, seis na Alemanha e um na Finlândia – e passeios por diversos países. Participe, mande relatos, perguntas ou sugestões. Os comentários no site são sempre respondidos!
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