Aluna do UWC conta sobre estudar na Armênia

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Jady (de azul) e o painel de boas vindas para os alunos de 2014

No final de julho desta ano, contei aqui a história da Jady Sampaio que ganhou uma bolsa do  United World Colleges (UWC) — colégios internacionais, localizados em diversos países – e saiu de São Paulo para estudar na Armênia (país que tá ali entre a Turquia, o Azerbaidjão, o Irã e a Geórgia). Achei a história mega interessante e pedi um relato em que a bolsista do UWC conta sobre estudar na Armênia. Para vocês terem uma ideia como a vida da Jady mudou, agora ela mora no colégio e tem todas as aulas em inglês. As aulas vão até 15h15. Ela pode escolher quais matérias cursa, mas  precisa cursar, no mínimo, uma matéria de cada área (ciências, artes, humanas, etc). Na escola, ela divide o quarto com outras meninas. A divisão dos quartos é escolhida pela escola e tenta misturar a maior variedade de línguas/continentes/culturas possível. Os colégios da UWC são um tipo de colégio interno, afinal, os estudantes moram lá, mas eles podem sair da escola. No caso da Armênia, a Jady conta que eles pedem apenas que os alunos saiam sempre em grupo e que voltem às 21h30min, mas que “no geral é bem livre, eles confiam bastante nos alunos”.

Se você não faz ideia do que é o UWC, eu explico:  são colégios internacionais espalhados por vários lugares do mundo. Todos os anos, eles promovem seleções para novos alunos. O processo seletivo tem três etapas:  provas objetivas de português, matemática, lógica e conhecimentos gerais e redação, entrevista e convívio durante um final de semana, em que várias dinâmicas de grupo são utilizadas para conhecer melhor os candidatos. No final da seleção, eles divulgam quem vai ganhar bolsa de estudos e de quanto elas vão ser (isso geralmente varia de acordo com o perfil socioeconômico dos candidatos). Além da Armênia, o UWC possui escolas em países como  Estados Unidos, Itália, Canadá, Alemanha, Índia, Noruega, País de Gales, Suazilândia, Hong Kong, Singapura, Holanda, Armênia, Costa Rica e Bósnia-Herzegóvina. Eles selecionam, todos os anos, estudantes do mundo todo com o objetivo é reunir em um só lugar pessoas das mais variadas raças e culturas. Cada escola tem estudantes e professores de mais de 100 nacionalidades.

Mas tá, nada melhor do que ouvir quem estar lá para saber como é, né? Então, fiquem com o depoimento da Jady Sampaio sobre como está sendo estudar em um colégio da UWC na Armênia.

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Jady com a colega Irem, da Turquia

“Faz dois meses que estou aqui, no colégio UWC Dilijan, na Armênia. Tento lembrar do dia em que cheguei, a cabeça pesada de jet lag mas a empolgação total. Aguardar os outros colegas, desfazer as malas, entrar na rotina das aulas, skype com a família, aprender umas palavrinhas em armênio, tudo isso fez parte desses dois meses. O mais fácil pra mim foi fazer amigos. Já tinha conversado com alguns colegas na internet, mas me aproximei de bastante gente que eu nem sabia que estaria aqui.

Nos primeiros dias, tudo parece lindo e maravilhoso. Com o tempo, você vai percebendo os defeitinhos, as manias, as particularidades de cada um – e vai conhecendo as suas, também. Tanta chatice minha que eu só fui descobrir aqui! O mais bacana é perceber o quanto todos são parecidos. Ainda que venhamos de diferentes realidades, línguas e famílias, todo mundo tem medos, anseios e amores e isso cria uma identificação tão poderosa que não te permite olhar pro mundo da mesma maneira.

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Agora, a cada vez que ouvir – por exemplo – sobre a Ucrânia, não vou pensar em números, mas em pessoas. Pessoas que, como eu, tem mãe, irmãos, gato, cachorro, tristeza, alegria. E isso me tornou mais humana. Eu sinto que vir pra cá foi o melhor presente que eu poderia ganhar, porque além de amigos, e do mundo, eu ganhei sonhos. Agora que eu sei o quanto é bom viajar, conhecer, aquele friozinho na barriga, não quero mais parar!

Claro que tem uns momentos difíceis. Tem a saudade, tem a dificuldade de sempre achar gente com opinião contrária à sua, de ser desafiado, e tem o orgulho ferido de perceber: “poxa, tô errada!”. Mas o que eu tirei de bom de todos esses momentos e pessoas vale tremendamente a pena. Tive dez vezes mais alegria do que qualquer outra emoção.

UWC Jady Sampaio

Estava conversando com uma amiga e falamos que, se nos dissessem há dois, três anos que iríamos morar na Armênia, nós não acreditaríamos. Mas agora, quando escuto a palavra “casa”, meu pensamento não voa pro Brasil, ele fica aqui: no meu quarto, na sala comum, na biblioteca. Minhas colegas de quarto se tornaram irmãs, meus amigos se tornaram uma outra família. E minha casa, agora, é aqui.”

COMENTÁRIOS

2 respostas para “Como é viver em um colégio interno? Aluna do UWC conta sobre estudar na Armênia”

  1. Gabriela Freitas disse:

    Soube da UWC através desse blog e estou simplesmente apaixonada pela proposta, vou tentar me inscrever ano que vem, estou muito ansiosa mas muito insegura em relação ao processo seletivo. Quem puder me ajudar em relação à isso, agradeceria rs

  2. […] UWC têm como missão promover a paz e a compreensão entre os povos por meio da educação. As […]

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