Educação na Finlândia é uma brincadeira levada a sério

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Desde que os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) –  ranking que mede o desempenho de estudantes de 15 anos em 65 países – colocaram os calmos e quietos finlandeses em evidência, todo o mundo se pergunta qual o motivo da Finlândia ter um sistema educacional tão eficiente.

Sem nem ter perguntado, eu já obtive a primeira resposta: “nós somos leitores ávidos. Aqui as pessoas aprendem a ler mesmo antes de ir para a escola”, me contou um jovem finlandês. Para mim, a resposta faz todo o sentido e muito possivelmente é um dos fatores que ajuda os alunos irem bem em qualquer tipo de teste. A parte engraçada é que a conversa aconteceu no meio de uma festa em uma cobertura em um sábado de sol poucas horas antes de irmos a um festival. Desde que cheguei em Helsinque, o todos sempre enfatizaram o quão calados e reservados os finlandeses podem ser (e de fato são). No entanto, em todas as oportunidade que tive de falar com os locais, me peguei no meio de conversas com pessoas extremamente curiosas e genuinamente interessadas em debates sobre questões complexas.

 

 

Educação na Finlândia começa na seleção dos professores

Dias após meu bate-papo pré-festival, tive a oportunidade de ouvir o diretor do Departamento de Educação da Universidade de Helsinque, Jari Lavonen, contar como o processo de seleção dos estudantes interessados na carreira de professor é feito pela instituição. Para tirar os primeiros 300 pré-selecionados dos 3000 inscritos, algo como um teste de leitura é feito. Ouvir isso não me surpreendeu.

Os candidatos são convidados para um debate profundo de um livro publicado meses antes. Segundo Lavonen, assim “é possível encontrar candidatos motivados e que saibam não só ler e memorizar, mas mais que isso, eles precisam saber interpretar e entender  o que leem”. Esse é apenas o primeiro passo para torna-se professor na Finlândia. O processo de seleção completo leva em torno de seis meses. Pois, como o diretor do departamento enfatizou, tudo relacionado à educação na Finlândia é baseado em políticas de longo-prazo que não mudam cada vez que o partido no poder muda. Educação é um assunto sério na Finlândia, mas extremamente voltado para desenvolvimento do pensamento crítico e da criatividade dos alunos. Como resultado, o sistema educacional finlandês produz adolescentes e jovens adultos tranquilos capazes de falar da cultura da sauna no país, política ou educação com argumentos equilibrados sem jamais perder a compostura ou aumentar o tom de voz.

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Durante uma visita em uma escola de Ensino Fundamental e Médio, perguntei para um garoto de 16 anos se eles tinham que fazer muito dever de casa. Eu esperava aquela resposta clássica de qualquer adolescente. Ele apenas me olhou e disse: “não somos obrigados a fazer nada. Os professores nos passam atividades extra e a gente faz se quiser, mas como é bom pra saber mais de uma matéria, a gente faz”. Aparentemente, aqui até os adolescentes já sabem: educação eficiente não é baseada na decoreba, mas sim na compreensão e interpretação eficiente de fatos.

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A versão original deste texto foi publicada no blog oficial do FCP em agosto de 2015, o programa do governo finlandês me trouxe, com outros 20 jornalistas de todo o mundo, para o país. Todos os dias, um de nós escreve para contar sobre o que estamos fazendo aqui. Os textos são todos e inglês. Fora isso, quem tiver interesse em saber o que está rolando por aqui, pode seguir o Instagram do Partiu Intercâmbio, onde eu posto fotos e novidades todos os dias

COMENTÁRIOS

4 respostas para “Finlândia: onde a educação é uma brincadeira levada a sério”

  1. annefonseca disse:

    égua, Bruna. Num acredito que num me botei na tua mala pra ir praí.

  2. Gabriela Gelain disse:

    Adorei a matéria 🙂 Também quero visitar a Finlândia <3 Anotando para as próximas jornadas.

  3. Paola Sartori disse:

    Estou me programando para ir à Finlândia e estou animadíssima pelos teus relatos, Bruna! 😀

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