Faculdade em Portugal com o ENEM: dicas de uma brasileira em Coimbra

O sonho dourado de muitos brasileiros é fazer faculdade em PortugalRebeca Ávila, de 22 anos, embarcou nessa jornada em 2014 quando  a Universidade de Coimbra, uma das mais famosas e tradicionais universidades portuguesas, foi a primeira universidade portuguesa a aceitar o ENEM como foma de acesso. A pernambucana se graduou em Jornalismo em 2018 e contou pra gente todos os detalhes de estudar em Portugal.

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Rebeca Ávila estudou na Universidade de Coimbra de 2014 a 2018

 

Por que fazer faculdade em Portugal?

Rebeca conta que fez sua candidatura ao acaso. Ela estava se preparando pra ingressar na universidade na Inglaterra. “Já estava com quase tudo pronto e só faltava pagar a tradução do histórico escolar quando meus pais viram na internet que duas universidades de Portugal iam aceitar o ENEM. Aí meu pai falou comigo e me convenceu de que ir pra lá podia ser uma boa opção, porque seriam só três anos [na Inglaterra são quatro por causa do Foundation Year pra estrangeiros] e o custo de vida era mais barato, então, caso eu não conseguisse bolsa ou trabalho em Coimbra o risco de abandonar o curso no meio por falta de dinheiro era um pouco menor”, explica.  Ela optou por estudar na Universidade de Coimbra por ser uma instituição mais conhecida e tradicional, e também pela vida estudantil e cultural na cidade.

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A candidatura para estudar na Universidade de Coimbra

Como a gente já explicou aqui no Partiu Intercâmbio, o processo para fazer faculdade em Portugal nas universidades que aceitam o ENEM é simplificado. No caso de Universidade de Coimbra as notas variam de acordo com o curso escolhido porque a universidade usa o sistema de nota ponderada. ” Levei cerca de um mês e o processo de candidatura para fazer faculdade em Coimbra foi rapidíssimo, porque ao contrário de outros países eles não pedem carta de motivação, carta de recomendação, atividades extracurriculares etc”, conta Rebeca.  No ano em que a Rebeca se candidatou, a documentação necessária pra se candidatar para fazer faculdade em Portugal na Universidade de Coimbra foi documento de identificação (passaporte ou RG), histórico escolar, comprovante com todas as notas do ENEM e auto-declaração de que o estudante não tem nacionalidade portuguesa. Na página da Universidade vocês encontram mais detalhes sobre os documentos necessários para cada curso.

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O resultado das candidaturas para fazer faculdade em Portugal costuma sair rápido logo depois do final das inscrições. Vale lembrar que a candidatura para estudar em Portugal tem três rodadas. O ideal é sempre se candidatar na primeira para ter mais tempo com a burocracia de visto e também pra juntar a grana que você vai precisar, já que fazer faculdade em Portugal não é graça e bolsas que cobrem custos gerais de vida em Portugal na graduação infelizmente não existem (se vocês conhecerem alguma, podem me chamar de louca, mas deixei o link da bolsa nos comentários, por favor).  “Enviei vários e-mails à universidade para saber sobre as formas de pagamento e se haveria futuramente alguma possibilidade de bolsa, o que foi um pouco estressante porque descobri que as possibilidades eram poucas e eu não tive muito tempo pra pensar, porque eles só garantiam a vaga mediante pagamento prévio da propina e só deram um dia pra fazer isso, depois que saíram os resultados”, relata Rebeca.

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A Universidade de Coimbra, em Portugal

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Como escolher uma faculdade em Portugal

Antes de começar a sua candidatura e também para guiar sua pesquisa sobre onde estudar em Portugal, é importante levar muitos aspectos em conta. Por exemplo: que tipo de curso você prefere: mais prático ou mais teórico? com possibilidade de intercâmbio ou com possibilidade de estágio? Pensando em tudo que você deve considerar antes de A Rebeca deu dicas valiosíssimas para quem está pensando em fazer sua graduação em Portugal. Quando ela se inscreveu, só existiam duas opções de universidades em Portugal que aceitavam o ENEM. Hoje são 29 universidades de Portugal que aceitam o ENEM, então, você pode ser bem criterioso na hora de escolher, então, pense muito bem sobre os pontos abaixo antes de se candidatar:

  • Pesquisar muuuuito bem sobre os custos dos cursos para fazer faculdade em Portugal e das cidades, comparar preços e estilos de vida.
  • Portugal é um país pequeno, mas viver no Algarve (praia) não tem nada a ver com viver na Covilhã (montanha) ou viver na capital X no interior.
  • Se a questão financeira é fundamental, priorize cidades pequenas, universidades com bolsas para redução das propinas e alojamentos baratos.
  • Cuidado com os rankings, eles podem dar uma boa ideia mas quase nunca avaliam separadamente a qualidade das faculdades de ciências, exatas e humanas numa universidade, e isso varia bastante.
  • Existem universidades mais práticas e outras mais teóricas, algumas com mais consórcios para bolsas de intercâmbio e investigação e outras mais voltadas a parcerias com empresas para estágios no fim da graduação, então é bom ir atrás disso.
  • Também é importante olhar com calma as cadeiras oferecidas e pesquisar como funciona para validar o curso no Brasil  depois de fazer faculdade em Portugal se tiver interesse em voltar.

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Rebeca no famoso prédio da Universidade de Coimbra

Custo de vida para fazer faculdade em Portugal:

Comparado com o resto da Europa, Portugal ainda é um país com custos bem baixos (digo ainda porque o povo que mora em Lisboa vive falando que os preços tão subindo, mas segue mais barato que viver na Alemanha, por exemplo). Em uma cidade como Coimbra, segundo a Rebeca dá para viver com quantias de 400 euros (vida low cost) a 650 euros (vida ostentação). “Aluguel vai de 150 a 250 euros por quarto, sendo que 250 é exagero. Também existe a opção de alugar um micro estúdio por esse valor, ou um estúdio a partir dos 400. A alimentação básica custa em torno dos 200. Uma cerveja é 1 euro, 1 euro e meio, e a grande maioria dos rolês são de graça”, explica.

Para manter seu custo de vida baixo, no entanto, é importante escolher uma universidade que não cobre uma fortuna. A Universidade de Coimbra é uma das mais caras de Portugal. Quem tá dizendo isso não sou eu, a Bruna, mas essa matéria recente da Folha falando que “Brasileiros contestam mensalidade mais alta para estrangeiros em Portugal“. Afinal, existe uma lei  do ingresso especial para o estudante internacional que prevê que cidadãos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa tenham redução no preço automaticamente, independente das notas. Algumas universidades, como a do Porto, respeitam essa lei. Então, cabe a você, ler tudo muito bem antes de aplicar pra não ter aquela surpresinha desagradável de ter que pagar propinas (como os português chamam as taxas universitárias) exorbitantes.

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Como já falei, bolsa 100% total free pagando todos seus custos não rola em Portugal. No entanto, várias universidades oferecem taxas mais baixas ou até isenção de taxas para alunos que têm as melhores notas no ENEM. A dica é sempre dar aquela vasculhada boa no site da universidade e mandar trocentos e-mails perguntando tudo. Além disso, planejar a candidatura e começar a economizar desde AGORA é fundamental pra não chegar lá e ter que voltar no meio do curso pra juntar dinheiro.

 

Agora que vocês entendem todos os aspectos burocráticos e práticos de fazer faculdade em Portugal, confiram nossa entrevista com a Rebeca Ávila, que estudou jornalismo na Universidade de Coimbra, e nos contou o melhor (e o pior) de fazer graduação em Portugal:

 

Qual a principal diferença da faculdade em Portugal e no Brasil?

Rebeca- Em Portugal a graduação dura 3 anos e há a opção de fazer um mestrado integrado de 2 anos. Na Universidade de Coimbra, alguns cursos têm a possibilidade de oferecer um Menor (minor), como nos Estados Unidos, o que é bem legal para quem quer fazer uma mini-especialização em outra área. Os horários e a quantidade de disciplinas costumam ser mais leves, porque valorizam bastante as atividades extracurriculares. Inclusive a maioria das atividades práticas que eu deveria ter no meu curso, como rádio e TV, são oferecidas como atividades extracurriculares fora do edifício da universidade.

Ao contrário do Brasil, lá não existem projetos e remunerações para jovens investigadores, o que para mim é um ponto negativo. Essa desvalorização do hábito de investigar desde a graduação parece ser um dos fatores que contribuem para que as práticas e discussões nas aulas de alguns cursos seja pouco aprofundada. Além disso, existe um senso comum que cria um distanciamento entre os professores e os alunos, eles são mais tradicionais e cordiais e isso não ajuda muito.

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Rebeca em uma das peças de teatro das quais participou na Universidade de Coimbra

Outro ponto é que as faculdades de humanas, ciências sociais e artes estão passando por um período mais tecnicista e menos interventivo, completamente diferente do Brasil, então não tem aquela coisa de passar muito tempo no campus, de se mobilizar, criar coletivos etc etc, essas coisas… o mundo pode estar caindo e eles estão tranquilíssimos tomando café como se o problema não fosse com eles kkkkkk

Um ponto positivo é que, devido à localização, as universidades recebem muitos palestrantes interessantes, conferências importantes, oportunidades únicas de estar em contato com professores e pesquisadores de ponta. Passei muita raiva lá por achar o curso de Jornalismo pouco crítico e muito técnico, mas por outro lado tive a oportunidade de trocar ideias com profissionais muito inspiradores nessas aulas extra, e isso funcionou como uma compensação.

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Qual a coisa mais valiosa de fazer faculdade em Portugal?

Rebeca – Eu fui até Portugal porque queria ser jovem investigadora na Europa e quebrei a cara logo nos primeiros meses porque as dinâmicas de lá são outras. Isso me fez reposicionar minhas ideias, valorizando mais a abertura que a gente tem nas universidades brasileiras, mesmo mantendo o desejo de fazer uma carreira fora. Entendi que é mais valioso levar a minha experiência como brasileira pra lá do que tentar assimilar 100% do modo de vida português, e que todo lugar do mundo tem suas coisas boas e suas coisas más. Aprendi a ter mais paciência, porque sou muito ansiosa sobre isso de construir uma carreira, e percebi que o mais valioso de uma graduação não são exatamente os conteúdos que aprendemos, mas as portas que vão se abrindo durante os anos que passam.

 

Pra quem você recomenda fazer graduação em Portugal?

Rebeca – Recomendo uma graduação em Portugal para quem quer ter a oportunidade de viver experiências além da área do seu curso. Lá estimulam muito a interdisciplinaridade e a vida fora da universidade, através das associações acadêmicas, por exemplo, que são instituições muito interessantes. Na de Coimbra pude integrar a RUC (Rádio Universidade de Coimbra) e o CITAC  (Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra), que foram as minhas duas grandes casas, lugares onde aprendi muito, tive formações muito boas e fiz amigos que vou levar pro resto da vida. A RUC é a rádio-escola mais importante de Portugal, e o CITAC é um grupo de 60 anos que lutou contra a ditadura. Isso para mim é a parte mais rica de estudar em Portugal: poder ter tempo para viver e descobrir esses lugares, onde existem outras pessoas que já não são universitárias e que podem trazer também outras visões de mundo.

É um país com um ritmo de vida muito próprio, acho que tranquilidade é a palavra que o define. Fazer tudo a pé, estar a poucos minutos da praia ou da montanha… Portugal me fez ter a certeza de que menos é mais, e o sentido de comunidade, partilha e simplicidade que eles têm é muito bonito. Levo isso comigo no coração sempre.

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Como é a vida estudantil em Coimbra? Tem muito desconto pra quem faz faculdade em Portugal?

Rebeca – Coimbra é histórica exatamente pela vida estudantil, e acredito que nenhum outro lugar do mundo funciona como aquela cidade. Acho que é exatamente por isso que depois de um tempo as pessoas sentem a necessidade de sair: é como se fosse um universo à parte, com um ritmo muito agradável onde quase tudo é voltado pros estudantes. Apesar de ser bem pequena, é muito jovem e movimentada, mas ao mesmo tempo tem um ritmo despreocupado que é ótimo para quem tá saindo de uma vida acelerada no Brasil (pelo menos no meu caso foi, né, mas geralmente quem é de SP dá uma surtada no começo exatamente por ser muito pequena kkkkkk). Dá pra fazer tudo a pé, tem muitas áreas verdes, muitos cafés com esplanadas, e eu adoro isso. Como recebe muitos estudantes internacionais, é um lugar muito fácil para fazer novos e bons amigos. Existem descontos pra estudantes, como no teatro da universidade e em alguns bares e restaurantes, mas em geral os preços são muito baixos então vale a pena mesmo sem desconto.

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A Universidade de Coimbra tem alojamento para os estudantes?

Rebeca – A Universidade de Coimbra oferece alojamentos estudantis, mas o custo é muito semelhante ao que se paga dividindo aluguel de um apartamento central, maior e melhor com outras pessoas. Não cheguei a ficar em alojamento, mas amigos que ficaram disseram que não vale a pena. Uma outra opção são as repúblicas, casarões históricos que são parte importante da cidade. O mesmo conceito existe no Brasil, mas em Coimbra é um universo completamente à parte. As portas estão sempre abertas – literalmente – e lá organizam muitos eventos culturais, muitas mobilizações sociais e muitas festas também.

 

Dá para fazer estágio durante a graduação em Portugal?

Rebeca – Em Portugal, infelizmente não existe o hábito dos estágios pagos na área durante a graduação, tanto para estudantes internacionais como para portugueses. É algo muito raro. As universidades têm serviços de ação social onde dá pra trabalhar em troca de descontos nas mensalidades (aka propinas), no alojamento ou senhas pro restaurante universitário. Geralmente colocam as oportunidades num site, você se inscreve e espera a seleção. Os trabalhos são oferecidos de acordo com a demanda da universidade no momento, então não é algo fixo. Nem todas as universidades aceitam estudantes internacionais nos programas de ação social, então é bom verificar isso antes se estiver interessado.

 

O visto para fazer faculdade em Portugal permite trabalhar?

Rebeca – O visto é feito no Consulado e é necessário apresentar alguns documentos que comprovam que você vai como estudante e que tem renda necessária para se manter lá. Não precisa ter a grana toda pra um ano, só provar através da sua renda mensal ou dos seus responsáveis. Depois, ao chegar no país é preciso dar entrada no processo pra obter o bilhete de identificação (BI, que é o RG deles) e o NIF (equivalente ao CPF) em até 3 meses. O BI tem um prazo de validade e passado o prazo tem que ir lá no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fazer a renovação, sempre comprovando que você está matriculado e possui uma média aceitável, que está morando em um endereço legal e que o extrato da conta bancária tem a renda mínima obrigatória (são 400 ou 500 euros, não me lembro exatamente).

O visto de estudante em Portugal dá o direito de trabalhar em horário part-time, mas tem que pedir autorização no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras antes. Para conciliar os horários também é relativamente fácil, porque a graduação em Portugal tem horários bem mais leves que no Brasil.

 

Caso vocês tenham mais dúvidas, só deixar aí nos comentários. E meu MUITO OBRIGADA em caps lock pra Rebeca pela disposição! E se alguém quiser conversar com a Rebeca sobre fazer faculdade em Portugal é só entrar em contato com ela no Facebook ou no Instagram. Ela também é membro do grupinho do Partiu Intercâmbio no Facebook. Lá vocês podem deixar dúvidas, conversar com gente linda e trocar altas ideias sobre bolsas de estudos e intercâmbio!

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COMENTÁRIOS

Uma resposta para “Faculdade em Portugal com o ENEM: dicas de uma brasileira que estudou em Coimbra”

  1. Thaymara disse:

    Gostaria de saber a renda mínima pra entrar no país é mais detalhes sobre trabalhar durante a graduação.

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