Como faz para estudar em Portugal? Tudo que você precisa saber!

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Danielle Miranda como faz para estudar em Portugal

Danielle Miranda escolheu Lisboa como destino do seu Mestrado em Portugal

Estudar em Portugal é o sonho dourado de muitos brasileiros. Lá se fala português, a comida é deliciosa, os vinhos baratos e o clima mais ameno do que em outros países da Europa. Logo, não é por nada que um monte de gente me pergunta como faz para estudar em Portugal. Eu nunca estudei por lá, mas Danielle Miranda minha amiga e ex-colega de faculdade se mudou para lá em 2016 e foi fazer mestrado em Lisboa. No final do ano passado, tive o prazer de reencontrá-la por lá e, ela me contou de todo o processo para estuar por lá.

 

Por conta disso, convidei a Dani para nos contar mais sobre como foi o planejamento e todo o processo até ir estudar em Portugal. Organizada e eficiente como a Dani é, ela me responde com um guia completo com absolutamente tudo que vocês precisam saber sobre estudar em Portugal. Spoiler alert: tem que investir bastante tempo procurando o curso certo, a burocracia pode ser meio doida, conseguir bolsa não é muito fácil, mas dependendo da universidade e com bastante planejamento financeiro, dá para realizar o sonho.  Mas tá, escutem a Dani:

Como faz para estudar em Portugal

“Em 2016, eu e o Douglas, meu marido e incentivador/companheiro na decisão de vir para Lisboa, decidimos investir  no plano de buscar uma opção de intercâmbio que fizesse sentido para o nosso momento. Nunca havíamos morado fora do Brasil e tínhamos objetivos diferentes com a viagem: eu, que havia concluído no ano anterior um mestrado em Ciências da Comunicação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, estava interessada em complementar minha formação acadêmica; já o Douglas, que trabalha na área de desenvolvimento mobile, possuía objetivos mais voltados para experiências profissionais na sua área no exterior. Lisboa foi o lugar que nos permitiu conciliar as expectativas e o mais determinante para isso foi a minha aprovação para um segundo mestrado em Comunicação, dessa vez na linha de Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa. Tentei reunir algumas informações para quem está cogitando uma mudança parecida.

 

Dani e Douglas turistando em Sintra, pertinho de Lisboa

Como escolher um mestrado em Portugal?

Uma coisa é certa, não existe atalho: é necessário paciência e tempo para acessar os sites de diferentes instituições, ler seus editais e priorizar o que vai ser mais importante para você na hora de escolher um mestrado em Portugal. Não tem milagre: não é uma única consulta ao Google que vai trazer essa resposta e quanto maior a pesquisa, maiores as chances de escolher um curso que se encaixe nas suas expectativas.

Quando eu escolhi a minha universidade, alguns pontos foram decisivos: o fato de ser uma universidade pública; de ser reconhecida e estar entre as melhores universidades portuguesas e europeias em diferentes rankings e, pessoalmente, por possuir uma linha de pesquisa que representava um complemento acadêmico e profissional na minha trajetória.

Sempre estudei comunicação sob uma perspectiva cultural e esse mestrado relaciona estudos de cultura contemporânea (o curso discute da estigmatização da cultura pop à teorias queer, por exemplo) a uma linha de pesquisa que eu ainda não havia explorado teoricamente, a da cibercultura. É fundamental pesquisar bastante dentro da sua formação e perceber que uma grande “área” de mestrado, como a de Ciências da Comunicação, pode possuir linhas com abordagens muito diferentes como possibilidades de estudo (Cinema e Televisão, Comunicação e Artes, Comunicação Estratégica, Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias, Estudos dos Media e de Jornalismo, por exemplo).

 

Como é a seleção para fazer mestrado em Portugal

A seleção de mestrado portuguesa difere bastante do processo no Brasil. O primeiro passo é ter em conta que o calendário escolar é muito diferente: na minha universidade, as candidaturas aconteceram entre 5 de maio e 30 de junho de 2016. Em geral, o calendário por aqui é parecido, mas algumas universidades realizam o processo ainda mais cedo.  O resultado para mim saiu em julho e as aulas iniciam em setembro (por isso, se estiver disposto a realizar um mestrado em Portugal, prepare-se para a correria depois da aprovação!).

O processo é todo realizado pelo site das universidades: você vai precisar preencher um formulário, anexar documentos como passaporte, certificado de conclusão e histórico de notas da graduação (em Portugal, a graduação é chamada de Licenciatura ou estudos do 1º ciclo e a classificação de notas é bastante valorizada por aqui). Além disso, é preciso produzir um currículo em modelo europeu. Ele é mais detalhado que o currículo profissional que estamos acostumados a fazer, por isso, reserve um tempo para isso.  Outro material que precisa de dedicação para ser produzido é a carta de motivação.

A grande diferença em relação ao Brasil é que não existe prova nem a necessidade de ter um projeto de pesquisa para candidatar-se. Já em relação a outros países, não precisar providenciar traduções juramentadas de documentos também é uma vantagem. Tudo é enviado online e você só apresenta os documentos originais se for aprovado.

 

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Dani e Douglas aproveitando Lisboa nas horas de folga

 

Quanto custa estudar em Portugal?

Mesmo as universidades públicas em Portugal possuem um custo. No meu caso, o mestrado (ou 2º ciclo, como é chamado também por aqui) custa duas anuidades em torno de €1.100 cada. Esse valor pode ser pago no início de cada ano letivo, divididas em semestres ou pagas em uma única vez na primeira matrícula, com 10% de desconto sobre o valor total do curso. Como o valor pode variar consideravelmente, é muito importante pesquisar exatamente o seu curso e universidade de interesse. Principalmente se sua opção for uma universidade particular, já que existem ótimas também em Portugal, ou cursos de áreas mais específicas ou em parcerias com diferentes instituições os preços podem subir.

Além disso, alguns mestrados cobram anuidades maiores para alunos de fora da União Europeia, por isso, vai depender sempre da sua escolha específica. A impressão que tive depois de chegar aqui também é de que há mais bolsas no doutorado do que no mestrado em Portugal, mas, de novo, vai depender da sua área de investigação.

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É fácil conseguir visto para estudar em Portugal?

A aprovação no mestrado em Portugal garante ao estudante um visto de residente válido durante todo o curso. O visto de residente permite trabalhar legalmente e também solicitar um visto equivalente para marido/esposa e/ou filhos através do pedido de reagrupamento familiar. No meu caso, isso era um fator bem importante, já que o reagrupamento permitiria ao Douglas vir para trabalhar em Portugal sem estar matriculado em nenhuma instituição de ensino (ele trabalha em uma startup aqui em Lisboa).

O grau de maratona  com documentos e burocracia vai depender muito de quando sair a sua aprovação: o pedido de visto só pode ser feito junto ao Consulado de Portugal no Brasil após você ter a carta de aceite da universidade e é um processo que em 2016 estava levando entre 30 e 50 dias para ficar pronto. O consulado fornece uma relação completa de documentos necessários para o visto de estudante para Portugal. Alguns dos documentos que você vai precisar são obviamente o passaporte em dia; o comprovante de meios de subsistência para o período do mestrado (pode ser uma bolsa de estudos, seu imposto de renda comprovando que possui meios para se manter sem bolsa ou o dos seus pais com um termo de responsabilidade deles dizendo que garantem todas as despesas da sua permanência no país, por exemplo); o comprovante de alojamento para sua chegada (pode ser uma reserva de hotel, de Airbnb ou a declaração de que alguém vai te hospedar e se responsabilizar por você)

Dani e Douglas no Miradouro Portas do Sol

Dicas da Dani para agilizar o visto para estudar em Portugal

1) Agende sua ida ao consulado assim que souber que foi aprovado, pois nem sempre esse agendamento é imediato.

2) Você precisa comprovar que está coberto por algum sistema de saúde. Pesquise sobre o PB-4, é uma opção para brasileiros que você pode fazer sem nenhum custo, garante atendimento médico na sua estadia em Portugal e o isenta de providenciar um seguro internacional de saúde, que costuma representar uma despesa elevada.

3)Enquanto aguarda o visto, não bobeie e providencie outras burocracias que podem ser necessárias. Você certamente vai precisar apresentar seu certificado de graduação na nova instituição de ensino. Para isso, é preciso reconhecer firma das assinaturas de reitores e diretores do diploma (o que requer descobrir os cartórios junto à sua universidade) e depois realizar o apostilamento, um processo que “valida” nossos documentos para serem aceitos em Portugal. Apostilei certificados da graduação e do mestrado brasileiro e minha certidão de casamento, por exemplo. Cada documento tem um custo entre 40 e 60 reais e o processo é feito em cartórios e tabelionatos.

 

Os primeiros dias em Portugal

No Brasil, recebemos um visto de residente válido por 120 dias e, assim que chegamos em Portugal, é preciso procurar o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras  (SEF) e agendar uma data para se apresentar, mostrar novamente alguns dos documentos e solicitar o tão desejado cartão de autorização de residência.

Dica dourada (que ninguém me deu no Consulado): ligue para o SEF ainda no Brasil e agende sua ida assim que iniciar o processo de visto, pois os prazos para conseguir ser recebido podem levar cerca de 4 meses ou até mais. Descobrir isso apenas quando chegamos em Lisboa – meu caso e de todos meus colegas estrangeiros no mestrado – pode ser frustrante e trazer alguns imprevistos burocráticos.

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Dani com seus colegas de mestrado da turma de Metodologias de Investigação

Como é fazer mestrado em Portugal?

O mestrado aqui em Portugal dura 18 meses e possui uma dinâmica de composição das turmas diferente da brasileira. Muitos estudantes europeus já ingressam no 2º ciclo imediatamente após terminarem a licenciatura, muitas vezes sem ter tido experiências profissionais na sua área anteriormente e mais jovens do que a maioria dos mestrandos brasileiros. É um perfil diferente do mestrado que cursei no Brasil, com colegas mais jovens e aulas mais expositivas. Ao mesmo tempo, propicia um contato muito rico em diferenças culturais, já que nas universidades portuguesas há muitos estrangeiros (muitos mesmo). Assistimos uma média de três disciplinas por semestre, nem todas com frequência obrigatória, mas sempre com entregas de papers finais, algumas com apresentação oral do paper.

Também é habitual haver trabalhos menores ao longo do semestre. As leituras semanais são predominantemente de textos em inglês, apesar do idioma usado em sala de aula ser o português. Mesmo assim, o que posso dizer é que saber inglês auxilia muito: a carga de textos é alta e compreendê-los é fundamental. Além disso, muitos bons eventos acadêmicos optam pelo inglês como idioma das conferências, para envio de artigos, apresentações etc. Por fim, Lisboa – onde eu vivo – é surpreendentemente repleta de pessoas de todos lugares do mundo e o inglês facilita o convívio, candidaturas em processos seletivos, acesso a oportunidades de trabalho e até o chope (que aqui se chama “imperial”) com os colegas após a aula. Mas, claro, se o inglês não está forte, isso não chega a ser impeditivo e Portugal continua sendo uma ótima opção.

Vista do Martim Moniz, bairro em que a Dani e o Douglas moram em Lisboa

No final do mestrado, a avaliação é chamada de “componente não lectiva” e você pode optar por entregar uma dissertação e apresentá-la em uma banca, em um processo semelhante ao do Brasil, ou entregar um relatório de projeto ou relatório de estágio em que você tenha trabalhado pelo menos 400 horas e identificado um problema teórico ou metodológico de investigação para abordar. Pelo que percebi, quase todos optam pelo trabalho de dissertação. As aulas e entregas de papers das disciplinas encerram no final de junho e o último semestre é destinado à produção do trabalho final. Aqui, ao contrário da minha experiência no Brasil, o orientador é escolhido apenas no segundo ano e não desde o ingresso no mestrado.

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Dá para trabalhar com o visto de estudante em Portugal?

Uma diferença estrutural para o Brasil é que aqui minhas disciplinas são noturnas. Como já comentei, o visto de residente permite ao estudante brasileiro trabalhar (desde que você solicite autorização para o SEF) e ter aulas somente à noite pode ajudar. Mesmo assim, não vejo muitos colegas do mestrado (nem brasileiros, nem de outras nacionalidades) trabalhando. Mas isso pode depender muito da sua área de atuação.

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Dani e Douglas na Praia D. Ana, no Algarve.

Com faz para estudar em Portugal? Tem que se planejar!

Vir para Lisboa tem permitido vivenciar experiências lindas. A cidade é incrível, pulsante, com um clima generoso, muitos lugares para conhecer, culinária delícia, vinhos bons e baratos ;). Portugal todo é um país que nos surpreendeu, cheio de diferentes opções de destinos maravilhosos, muito seguro e que convida a priorizar um ritmo com mais qualidade de vida. Mas, claro, sair do Brasil e iniciar estudos por aqui exige uma certa organização. Vir sem bolsa, por exemplo, requer planejamento financeiro antecipado. Portugal é um dos destinos mais acessíveis para se viver na Europa quando o assunto são custos como moradia, supermercado e alimentação fora de casa. Mesmo assim, é importante estar consciente que os salários também são menores do que em muitos países e que imprevistos surgem quando estamos realizando uma mudança tão grande.

Algo que ajudou a mim e ao Douglas foi, já bem antes de pensarmos na viagem, termos criado uma planilha de gastos fixos do casal (que nos permitiu tanto visualizar para onde direcionávamos o dinheiro quanto usar como comparação para os gastos em euros na hora de vir pra cá) e também pequenas metas de poupança conjunta, além das individuais. Nossa “vaquinha” do casal começou super modesta mesmo, e fomos aumentando (bem devagarzinho) os valores com o tempo… Antes de virmos, estimamos custos assistindo vídeos de pessoas que vieram morar aqui, lendo blogs e pesquisando valores como aluguéis em imobiliárias de Lisboa, valores do transporte público, despesas com internet e telefone em empresas portuguesas e até olhando folhetos de supermercados disponíveis online para projetarmos nossos custos de mercado.

Pesquisar e estimar um custo médio (realista) mensal para viver em Portugal e calcular quantos meses você pode se manter com o dinheiro que possui ajuda a chegar com uma visão clara de qual a sua urgência para conseguir novas fontes de renda, qual a melhor opção de moradia (alugar um apartamento sozinho ou quem sabe compartilhar com novos colegas?), quanto você pode gastar em lazer, viagens etc e a ter uma certa tranquilidade quando algo sair do previsto. Pode até parecer trabalhoso, mas se é algo que você deseja, pode acreditar que vale a pena toda a energia investida :)”

Ah, toda terça-feira tem vídeo novo no nosso canal no YouTubeAssina aí pra não perder nadinha. Lá eu falo mais sobre como ganhar bolsa para fazer intercâmbio, como fazer carta de motivação e mais um monte de coisas. Obviamente, eu também respondo dúvidas. Só deixar elas aqui nos comentários do post.

 

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COMENTÁRIOS

  • Mônica Araujo Miranda

    Ola Bruna vi que vc infomou acima que o visto de residente obtido por um dos conjuges permite solicitar um visto equivalente para marido/esposa e/ou filhos através do pedido de reagrupamento familiar. No caso temos uma Declaração de União estavel que o consul orientou a fazermos o apostilamento em cartorio como vc tb informou. Mas a minha dudica é a seg.: meu marido ganhou uma bolsa de estudos de 6 meses para universidade de Porto para concluir a graduação de Engenharia Civil que esta fazendo no Brasil. Fomos ao consulado aqui do Estado do Pará e eles informaram que só meu marido tem direito ao visto de residencia e para eu conseguir tenho que estar matriculada em um curso tb!

  • Cristal Avila

    Oii, sou formada em jornalismo e atualmente trabalho em um rádio nacional voltada para o agronegócio. Estou começando a pesquisar sobre o país para fazer intercâmbio. Preciso aprender inglês e gostaria muito que fosse em um país que eu tenha chances de ser contratada futuramente, um país que o jornalismo é valorizado… Assimbcomo que tenha cursos na área. Você tem alguma dica? Qual você acha que mais influência profissional?

  • Carol Braga

    Olá, qual faculdade você está estudando? A minha área é a mesma da sua 🙂

  • Mateus Martins

    Com o apostilamento de Haia ainda tem a necessidade de autenticar no consulado?

  • Sandra Souza

    Adorei o post! Esse ano termino a minha Graduação e quero muito fazer um mestrado em Portugal, é um sonho pra mim! Obrigada pelo post, ajuda muiiito <3