Início » intercâmbio » Como é fazer mestrado na Finlândia? A Beatriz te conta!

Em 2015, a Beatriz Guedes, de São Paulo, resolveu estudar na Finlândia. A professora escolheu fazer um mestrado em Educação e Globalização no país. Mesmo sem bolsa de estudos, ela conseguiu realizar o sonho de fazer a pós-graduação que se encaixava perfeitamente com os planos dela com muita economia e planejamento. Ela escreveu um relato para o Partiu Intercâmbio sobre como é fazer mestrado na Finlândia. Além disso, a Bia lembrou de um ponto super importante de estudar fora: no fim das contas, o interesse é seu e você que tem que aproveitar a oportunidade para aprender (ou não). Eu adorei o relato e espero que vocês gostem também. Confiram:

mestrado na finlandia beatriz gudes
“Eu já havia feito dois intercâmbios (Estados Unidos e Irlanda) e terminado o bacharel em Letras pela USP quando pensei em ir morar fora novamente. Trabalhava como professora, estava terminando a licenciatura e também queria começar um mestrado. Numa destas coincidências da vida achei uma reportagem que falava sobre o mestrado em Educação e Globalização da Universidade de Oulu que, além de parecer se encaixar perfeitamente no meu perfil profissional, ainda era gratuito (mas, infelizmente, não será mais a partir de 2017).

Não vou negar que o fato de ser gratuito foi decisivo para que eu decidisse me inscrever. Eu não tenho cidadania europeia, os valores anuais das universidades são muito mais altos para não-europeus e eu não teria condições financeiras de arcar com todos os custos. Por outro lado, ser gratuito apenas não bastava, mas o currículo do curso também se encaixa com o que eu procurava. Preparei toda minha inscrição que incluiu carta de apresentação, proposta de pesquisa de mestrado, histórico escolar, diploma, carta de referência de ex-professores e currículo acadêmico e enviei sem muitas expectativas, pois foi a primeira e única vez que me inscrevi numa universidade no exterior e confesso que não sabia muito bem se estava fazendo a coisa certa.

beatriz guedes como é fazer mestrado na finlandia 2
O processo de seleção inclui duas etapas: avaliação dos documentos enviados que é eliminatória, e uma entrevista por Skype ou telefone, onde também avaliam a proficiência em inglês. Quando o resultado saiu, precisei ir até a Embaixada da Finlândia em Brasília para mostrar todos os documentos originais, entre eles,comprovação de que tinha condições financeiras de me sustentar no país. A imigração exige que se comprove 6720 euros para emissão do visto de um ano – mesmo que o curso tenha duração maior, como o meu que são 2 anos, o visto só é emitido para um ano de cada vez. É necessário comprovar os 6720 euros todos os anos e o valor pode ser comprovado em reais mesmo, desde que de acordo com a conversão de moeda o valor se equivalha ao exigido em euros.

 

Eu não tenho nenhum tipo de bolsa, então me mantenho com as economias feitas ainda no Brasil. As pessoas me perguntam como consegui juntar dinheiro, ainda mais com o euro tão alto como está agora, mas não tem segredo: eu morava com meus pais ainda, o que com certeza ajudou muito financeiramente, então, eu evitava gastar dinheiro com futilidades, e ao invés de esperar o fim do mês para poupar, já separava o dinheiro da poupança logo que recebia o salário. Não é fácil nem rápido, mas este é um hábito que eu tenho desde o meu primeiro pagamento, então eu já tinha um valor guardado quando decidi me inscrever. Planejamento é a chave.

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Mas apesar de ser exigido o equivalente a 560 euros mensais, Oulu é uma cidade pequena e o custo de vida é muito mais baixo do que a capital Helsinque, por exemplo. Há um sistema de acomodação para estudantes com aluguéis muito baixos para o padrão finlandês. Fazer mercado é um pouco mais caro, ainda mais incluindo frutas, legumes e carne na alimentação, mas não é nada absurdo para os padrões do país. Eu consigo me sustentar com bem menos que 560 euros mensais, especialmente porque eu não tenho bolsa, então penso bem em cada euro que gasto.
A Finlândia tem fama de ser o país com a melhor educação do mundo, especialmente pelos excelentes resultados no PISA. O ensino superior não entrar nessa avaliação, mas a fama vai por tabela.
Na universidade, tudo é muito flexível e isto me chamou a atenção. Na minha universidade no Brasil, prazo para entregar trabalho era seguido à risca. Aqui pode ser negociado e extensão de prazo pode ser concedido com uma conversa e boa justificativa. As disciplinas podem ser apenas pass-fail, ou seja, fez tudo que foi pedido, passou, ou com notas que vão de 0 a 5. A partir de 1, você passa, mas ninguém quer passar com 1, então, todo aluno pode fazer um trabalho ou prova até 3 vezes e a nota maior é a que vai para o histórico. Por um lado, no início, eu achava que era muita leniência, mas hoje enxergo de outra forma: somos todos adultos e responsáveis pelo nosso próprio aprendizado e se a motivação para fazer tudo é a pressão dos professores, prazos e notas, bem, amigo, temos um problema. Aqui a motivação é sua e só sua.

 

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Eu gosto muito de morar em Oulu, mas acho que eu gostaria que tivessem me falado (ou deveria ter pesquisado melhor) que a cidade é muito, mas muito pequena. É a 5ª maior da Finlândia, mas estamos falando de um país com 5 milhões de pessoas! A população aqui é de cerca de 200 mil habitantes, mas a impressão é que eu moro dentro de um parque. Da janela do meu quarto vejo muitas árvores e moro entre dois grandes lagos. Esquilos e coelhos estão em toda parte. Não posso nem pensar em comparar a cidade com São Paulo, pois as opções de lazer são limitadas. A maior parte dos estudantes se diverte em house parties ou encontrando amigos em casa. Claro que há bares, baladas, cinemas e restaurantes, mas os preços não são muito convidativos e, pelo menos no meu caso, não é algo que posso fazer todo final de semana. Já estou quase na metade do meu mestrado e não me arrependo da escolha.”
Para que se interessou pela história da Beatriz, ela posta sobre a vida na Finlândia no blog pessoal dela. Só passar lá para saber mais 🙂

E sobre a cobrança para estudar na Finlândia a partir de 2017: