Como é o mestrado Mundus Journalism do Erasmus?

Início » intercâmbio » Como é estudar na Dinamarca? A Helena, bolsista do programa Mundus Journalism te conta!

A bolsa de mestrado em jornalismo da Erasmus Mundus para estudar na Dinamarca e em mais um país da Europa recebe inscrições até 10 de janeiro, muita gente sempre fica em dúvida sobre a seleção e principalmente sobre o curso em si. A Helena Gertz trabalhou comigo em Porto Alegre lá nos idos de 2012 e e se candidatou para a bolsa duas vezes! Na primeira, ela foi aceita sem bolsa e não cursou. Na segunda, ela foi aceita e com bolsa! Mais uma prova de que quando você quer alguma coisa não dá pra desistir assim fácil. Para ajudar quem quer saber mais sobre o curso, ela me deu esse depoimento sobre como é estudar na Dinamarca fazendo o mestrado do Mundus Journalism. Confere aí:

Helena Gertz (dir) e a colega Belén Fiallo, do Ecuador, fazem mestrado em Aahrus, na Dinamarca

Helena Gertz (dir) e a colega Belén Fiallo, do Ecuador, fazem mestrado em Aahrus, na Dinamarca

“Estou no primeiro semestre deste mestrado do programa Mundus Journalismda Erasmus. Fico até junho de 2016 em Aarhus, a segunda maior cidade da Dinamarca, e, a partir de setembro, vou para Hamburgo, na Alemanha, para o segundo ano. Vou comentar principalmente sobre a seleção e o curso. O primeiro passo para chegar aqui é a seleção e, para isso, é muito importante saber se o curso está de acordo com suas expectativas. O Mundus Journalism é um programa oferecido pelo consórcio Erasmus Mundus, da Comissão Europeia. Dentro deste sistema de convênios entre universidades europeias e não-europeias, há cursos para diferentes áreas e todos acontecem em pelo menos duas universidades europeias. O Mundus Journalism é o único da lista voltado para jornalismo. O primeiro ano é obrigatoriamente em Aarhus e o segundo destino deve ser escolhido já na candidatura de acordo com seus interesses de especialização.

 

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O primeiro semestre se estuda as linhas de pensamento ligadas às Ciências da Comunicação (ou Estudos de Mídia), às Relações Internacionais e a principal discussão gira em torno da globalização. No segundo semestre, o foco é em metodologia de pesquisa. O terceiro é diferente de acordo com cada especialização e, no último, se escreve a dissertação que também tem formatos diferentes. Diferente do Brasil, o mestrado aqui tem mais disciplinas obrigatórias e menos tempo para trabalhar na dissertação.

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Conheci colegas aqui que disseram ter se candidatado para o Mundus Journalism porque queriam morar em alguma das cidades de destino do segundo semestre. Entendo o “sonho de morar em Amsterdam/Londres/Hamburgo/Swansea”, mas acredito que é melhor tomar esta decisão pensando no tópico de especialização em cada cidade, afinal você terá aulas sobre o assunto escolhido e escreverá a dissertação obrigatoriamente dentro desta área de ênfase. Se você sonha em morar em Londres, por exemplo, mas odeia economia, pense duas vezes antes de decidir. Não é permitido mudar a cidade de destino do segundo ano em hipótese nenhuma. Meu último ano será em Hamburgo. Minha escolha se baseou não só no assunto de ênfase, mas também porque é a especialização com caráter mais voltado à carreira acadêmica, ou seja, pense também em como a especialização se aplica ao seu futuro profissional.

É preciso enviar uma carta de motivação para se inscrever no Mundus Journalism. Os tópicos que abordei nos dois parágrafos anteriores me parecem ser os mais importantes para mostrar seu interesse no curso. Em resumo, tente mostrar para a banca de seleção (e para você mesmo):

1) porque você está interessado em globalização e comunicação e
2) porque você está interessado no assunto do segundo ano.

 

Turma da Helena no mestrado na Dinamarca. Foto: Helena Gertz

Turma da Helena no mestrado na Dinamarca. Foto: Arquivo Pessoal/Helena Gertz

Se você não está interessado em nenhum destes temas, pense bem: o curso aqui exige muita leitura (como qualquer curso de pós-graduação no mundo), há apresentações em grupo, entrega de artigos como trabalho final de cada disciplina, algumas provas e, claro, uma dissertação. Morar no exterior é uma experiência enriquecedora, mas fazer um mestrado não é fácil e deve ser ainda mais difícil se for sobre um assunto que não interessa.

Em 2014, fui aceita pela primeira vez no Mundus Journalism, mas sem bolsa. Acabei desistindo. No mesmo ano, passei no mestrado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) onde cursei o primeiro semestre de 2015. Me inscrevi novamente para o Mundus Journalism, e desta vez fui aceita com bolsa. A bolsa, na minha opinião é suficiente para viver e se dedicar aos estudos. Em 2015, o curso recebeu 500 candidaturas, das quais 90 foram selecionadas, 79 pessoas estão de fato cursando e 13 bolsas foram concedidas. Exatamente devido à concorrência é importante pensar se esse mestrado realmente é interessante para você. Ter cursado um semestre na UFRGS, ainda que seja pouco tempo, me mostrou que o mestrado no Brasil tem uma proposta diferente que não deixa NADA a desejar para o que estou fazendo aqui. Me inscrevi duas vezes no Mundus Journalism porque me pareceu um curso inteiro na linha de pesquisa de meu interesse. Na minha decisão, pesou igualmente o fato de ter recebido a bolsa e a experiência de estudar e viver no exterior.

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Se este é o curso de mestrado para você, se inscreva quantas vezes for preciso
. Mesmo sendo concorrido e sendo uma seleção sem prova de admissão, o número de pessoas aceitas para o Mundus Journalism é, em geral, maior do que o dos cursos de mestrado do Brasil. Se a falta de bolsa for um problema, pense que outros já passaram por isso também. Pergunte, escreva para os brasileiros que já vieram para cá, converse com professores, pense o quanto este curso é importante para você. Foi o que fiz na primeira vez que fui aceita e na segunda também. Veja bem que estas são percepções bastante pessoais e, se você quiser opiniões diferentes, ficar com dúvidas ou quiser saber mais sobre a vida em Aarhus e outras curiosidades, vários outros brasileiros já passaram por aqui, sugiro dar uma olhada no “Alumni Blue Book” que dá uma ideia do perfil dos alunos.” 

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